Glossário
Glossário do mercado livre de energia
Os termos do ACL sem juridiquês, em uma ou duas frases cada. Definições diretas, para decidir com clareza.
Ambientes e quem pode migrar
ACL (Ambiente de Contratação Livre)
O mercado livre de energia, onde a empresa negocia direto com geradores e comercializadores (preço, prazo e fonte) em vez de pagar a tarifa regulada da distribuidora. Saiba mais →
ACR (Ambiente de Contratação Regulada)
O mercado regulado, onde você compra da distribuidora local a uma tarifa fixada pela ANEEL, sem negociar.
Grupo A (Alta e média tensão)
Consumidores de alta e média tensão (indústrias e grandes comércios). Estão no mercado livre desde janeiro de 2024.
Grupo A pulverizado (Consumidores menores do Grupo A)
Unidades enquadradas no Grupo A, como galpões logísticos, street malls, condomínios de hangares e marinas, aptas a migrar desde janeiro de 2024 independentemente do consumo. Com carga individual inferior a 500 kW, participam por meio de agente varejista.
Grupo B (Baixa tensão)
Consumidores de baixa tensão (a maioria dos comércios, serviços e residências). Indústria e comércio podem migrar a partir de 25/11/2027; as demais classes, a partir de 25/11/2028, conforme o Decreto 13.097/2026. Saiba mais →
Migração (Sair do ACR para o ACL)
O processo de sair do mercado regulado (ACR) para o livre (ACL): denunciar o contrato com a distribuidora e passar a contratar energia no ACL, diretamente quando permitido ou por representação varejista. Saiba mais →
Portabilidade (energia) (Troca de fornecedor)
O direito de trocar de fornecedor no mercado livre por rito simplificado. As regras operacionais estão em definição pela ANEEL.
Rito de 90 dias (Antecedência do pedido de migração)
A antecedência mínima do pedido formal de migração à distribuidora, fixada pelo Decreto 13.097/2026.
Demanda agregada (Consumo consolidado da rede)
O consumo de várias unidades tratado como um bloco só, o que permite analisar a rede de forma consolidada e pode ampliar a capacidade de negociação.
GD (Geração distribuída)
Produzir a própria energia no local de consumo (tipicamente solar no telhado), abatendo da conta por compensação. É um caminho diferente de migrar para o mercado livre, e pode ser combinado com ele.
Agentes do mercado
Gerador (Quem produz energia)
Quem produz energia (hidrelétrica, eólica, solar ou térmica) e pode vendê-la diretamente no mercado livre.
Comercializadora (Quem compra e revende energia)
Agente que compra e revende energia no ACL. É com quem a empresa costuma fechar contrato ao migrar.
Comercializador varejista (Representante de consumidores menores)
Comercializador que representa consumidores menores perante a CCEE e assume a operação por eles. É figura central para a entrada do Grupo B. Ver também: agente varejista, o mesmo papel.
Agente varejista (Representante sem adesão direta à CCEE)
Quem representa o consumidor no mercado livre perante a CCEE, sem adesão direta. É o mesmo papel do comercializador varejista; o Decreto 13.097/2026 disciplina o seu uso na baixa tensão, onde a representação é o caminho para consumidores atendidos abaixo de 2,3 kV.
Distribuidora (Dona da rede local)
A concessionária dona da rede local. Mesmo no mercado livre, é ela que entrega a energia até você e cobra o uso do fio (TUSD).
Consumidor livre (Compra de qualquer fonte)
Consumidor habilitado a comprar energia de qualquer fonte e de qualquer fornecedor no ACL.
Consumidor especial (Compra de fontes incentivadas)
Consumidor que compra de fontes incentivadas (renováveis, como solar e eólica), com desconto no uso da rede. Tem faixa de entrada menor que a do consumidor livre.
Preço e risco
PLD (Preço de Liquidação das Diferenças)
O preço de curto prazo da energia no Brasil, calculado pela CCEE em base horária dentro de um piso e um teto definidos pela ANEEL. Liquida a diferença entre a energia contratada e a consumida. Saiba mais →
P10 / P50 / P90 (Faixa de cenários)
Pontos da distribuição de resultados: P50 é o cenário típico (mediana), P10 o otimista e P90 o pessimista. É a faixa completa de resultados, em vez de um número único. Saiba mais →
Curva forward (Preços para entrega futura)
O conjunto de preços negociados hoje para entrega de energia em períodos futuros. É a referência para contratar e dimensionar o hedge. Saiba mais →
Hedge (Proteção de preço)
A fração do volume deixada em contrato de preço fixo para limitar a exposição ao PLD. A Precisa recomenda quanto deixar fixo e quanto exposto. Saiba mais →
CVaR (Conditional Value at Risk)
Medida de risco de cauda: a perda média nos cenários além de um percentil de referência. Na prática, resume quanto se perde, em média, quando o cenário ruim acontece. Saiba mais →
Tarifas e componentes da conta
TE (Tarifa de Energia)
A parcela de energia da tarifa regulada: a parte que deixa de ser paga à distribuidora ao migrar, substituída pelo contrato no mercado livre. Saiba mais →
TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição)
O custo pelo uso da rede da distribuidora. Continua na conta mesmo no mercado livre. Migrar reduz a parcela de energia; o uso do fio permanece. Saiba mais →
TUST (Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão)
O custo pelo uso da rede de transmissão (alta tensão), pago por quem se conecta nesse nível, como indústrias do Grupo A.
Conta de luz e tributos
kWh e kW (Energia e potência)
O kWh mede energia (quanto se consome ao longo do tempo); o kW mede potência ou demanda (o quanto se puxa num instante). A conta do Grupo A cobra os dois separadamente.
Demanda contratada (Potência reservada)
A potência (em kW) que um consumidor do Grupo A contrata para ter disponível. Consumir acima dela gera multa de ultrapassagem.
Bandeiras tarifárias (Verde, amarela, vermelha)
Sistema de cores que adiciona um valor à tarifa regulada conforme o custo de geração no mês. Vale no mercado regulado (ACR); no livre, o preço vem dos contratos e do PLD.
Tarifa branca (Tarifa por horário)
Opção do mercado regulado com preços diferentes por horário do dia, disponível para a baixa tensão (Grupo B).
ICMS (Imposto estadual)
Imposto estadual que incide sobre a energia elétrica. É um dos maiores componentes da conta e varia de estado para estado.
PIS/COFINS (Contribuições federais)
Contribuições federais cobradas na conta de luz, calculadas sobre o valor da fatura.
CDE (Conta de Desenvolvimento Energético)
Encargo setorial que banca subsídios do setor elétrico (tarifa social, interligação de sistemas isolados, entre outros), cobrado de todos os consumidores.
ESS (Encargo de Serviços do Sistema)
Encargo que cobre custos de manter a segurança e a confiabilidade do sistema, como acionar termelétricas fora da ordem de mérito.
Fator de potência (Eficiência no uso da rede)
A relação entre a energia que faz trabalho útil e a total puxada da rede. Abaixo de 0,92, o consumidor do Grupo A paga pela energia reativa excedente.
Modalidade tarifária (Azul e Verde) (Estruturas de tarifa do Grupo A)
As duas estruturas de tarifa do Grupo A: a Azul cobra demanda distinta para ponta e fora-ponta; a Verde tem demanda única e energia mais cara na ponta.
Custos e exposição
Lastro (Cobertura contratada)
A energia contratada que precisa cobrir o seu consumo. Sem lastro suficiente, a diferença fica exposta ao PLD.
Modulação (Perfil de consumo)
Como o seu consumo varia ao longo do dia e do mês. Quando o contrato não acompanha esse perfil, o descasamento vira custo.
Encargos (Custos além da energia)
Componentes da conta do ACL além da energia (uso da rede, perdas) que reduzem a economia aparente da migração.
Multa de ultrapassagem (Demanda excedida)
Penalidade por consumir acima da demanda contratada. Previsão de demanda mal feita vira custo recorrente.
Subcontratação (Contratar a menos)
Contratar menos energia do que se consome; a diferença é comprada ao PLD, justamente quando ele está alto.
Sobrecontratação (Contratar a mais)
Contratar mais energia do que se consome; a sobra é vendida ao PLD, que pode estar baixo na hora. É o espelho da subcontratação.
Spread (Margem do intermediário)
A margem que uma comercializadora ou consultoria embute no preço da energia para se remunerar. A Precisa não cobra spread nem comissão: é remunerada pelo cliente, pelo serviço que ele contrata. Saiba mais →
Contratos e operação
MCP (Mercado de Curto Prazo)
Onde a diferença entre o que foi contratado e o que foi medido é liquidada ao PLD, mês a mês, na CCEE. Saiba mais →
Submercado (Região de preço)
Uma das quatro regiões de preço do país (Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte). O PLD pode ser diferente em cada uma.
Sazonalização (Volume mês a mês)
A distribuição do volume anual de um contrato entre os meses, para acompanhar a variação do consumo ao longo do ano.
Flexibilidade (Variação permitida no contrato)
A variação (em ± %) permitida no volume de um contrato, para acompanhar oscilações do consumo sem penalidade.
Garantia física (Lastro da oferta)
O montante de energia que um gerador é certificado a vender de forma firme: o lastro do lado da oferta.
MW-médio (MWm, potência média no tempo)
A potência média ao longo do tempo: a unidade em que os contratos de energia costumam ser dimensionados. 1 MW-médio equivale à energia de 1 MW gerado de forma constante no período.
Liquidação (Acerto financeiro mensal)
O acerto financeiro mensal na CCEE das diferenças entre energia contratada e medida, valoradas ao PLD. Saiba mais →
Medição (Dados de consumo medidos)
Os dados de consumo medidos que alimentam a liquidação: a base para conferir se a conta está certa.
PPA (Power Purchase Agreement)
Contrato de compra de energia de longo prazo, em geral direto com um gerador, para travar preço e fonte por vários anos.
CCEAR (Contrato no ambiente regulado)
Contrato de compra de energia firmado em leilão no ambiente regulado (ACR), entre geradores e distribuidoras.
CCEAL (Contrato no ambiente livre)
Contrato de compra de energia livremente negociado no ACL entre as partes (gerador, comercializador, consumidor).
MRE (Mecanismo de Realocação de Energia)
Mecanismo que reparte o risco hidrológico entre as hidrelétricas, realocando energia de quem gerou acima para quem gerou abaixo da garantia física.
GSF (Generation Scaling Factor)
O fator que mede quanto as hidrelétricas geraram em relação à garantia física no MRE. Abaixo de 1, há déficit a cobrir, risco que recai sobre os geradores.
Como o cálculo é feito
SDDP (Programação dinâmica dual estocástica)
Classe de algoritmo (a mesma do NEWAVE/DECOMP usados no setor) para otimizar decisões sob incerteza ao longo do tempo. A Precisa usa para a recomendação de hedge. Saiba mais →
Monte Carlo (Simulação de cenários)
Técnica que gera milhares de trajetórias possíveis do preço para estimar a distribuição de resultados, em vez de um único número.
Reconciliação da liquidação na CCEE (Conferência mensal)
A conferência mensal que cruza medição, contratos, relatório da CCEE e PLD horário para apontar a exposição por volume, modulação, lastro e encargos, inclusive erros da CCEE para contestar. Saiba mais →
Instituições e marco regulatório
CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica)
Instituição que calcula o PLD e processa a liquidação do mercado de curto prazo.
ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)
Agência reguladora do setor elétrico; fixa tarifas e o piso e o teto do PLD.
ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico)
Opera o despacho do sistema elétrico nacional.
Lei 15.269/2025 (Abertura do Grupo B)
A lei que estabeleceu a abertura do mercado livre à baixa tensão (Grupo B), sancionada em 24/11/2025. O Decreto 13.097/2026 fixou a abertura a partir de 25/11/2027 para indústria e comércio e a partir de 25/11/2028 para as demais classes. Saiba mais →
SUI (Supridor de Última Instância)
Atendimento emergencial e temporário ao consumidor do mercado livre que fica sem fornecimento ou representação. Até 31/12/2030, o serviço é prestado pelas distribuidoras, com tarifa de energia nunca inferior à do respectivo subgrupo.
REN (Resolução Normativa)
O instrumento com que a ANEEL fixa regras do setor elétrico. É onde boa parte da regulação operacional do mercado livre ainda será detalhada.
Open Energy (Portabilidade de dados de energia)
Portabilidade dos dados de consumo entre fornecedores, análoga ao Open Finance. Está em regulamentação pela ANEEL, sem prazo confirmado.
Da definição à decisão.
Entenda como o motor transforma esses conceitos na sua faixa de cenários e no seu pior caso.